O trinco, com problemas, mantém a porta teimosamente aberta. Não há o que se fazer até que o reparo seja providenciado. Sento na minha cadeira e por um minuto olho para a sala vazia que se estende à minha frente. Todos foram embora. Agora, só o som do teclado do meu computador se faz ouvir. Por um minuto, paro e olho para o nada, ou melhor, para a sala que tantas vezes ocupei e que nunca vislumbrei. Me dou conta de que em dias seremos (todos) transferidos de setor e compartilharemos com outros tantos colaboradores o mesmo espaço.
Dormi mal, pensando nisso. Vocês bem sabem que uma noite mal dormida é como ingerir um gole de café que já esfriou na caneca. Despedidas são cruéis. Mesmo de uma sala. É a vida, que teima em substituir tudo e todos. Mesmo que isso não aconteça, há de se acreditar em um “até breve”, afinal, o “adeus” é por demais doloroso. Olho pela última vez. Apago a luz, com a certeza de que deixei para trás a porta aberta.
"E só de pensar em te perder por um segundo...Eu sei que isto é o fim do mundoooo!!!"
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