terça-feira, 21 de junho de 2011

Quem conta um conto ...

A rua estava muito escura e deserta. De repente, me vi só. Olhei para os lados e senti meu coração bater mais rápido. Algo estava errado. Não sabia como vim parar ali. Não havia pessoas e nem carros. Só eu. Sem saber o que fazer comecei a andar, sem rumo, porque o medo me impelia a fazer algo. Gritei, em vão, até que ouvi uma voz, com um sotaque peculiar da região Norte:

- Tad, Tad, Tad ...

Pensei, tá o quê? Tá de Chico? Tá de bobeira? Corri atrás do som, na tentativa de localizar a cearense, mas quanto mais eu corria, mais distante ficava - até que a voz emudeceu. Perdida, passei a chorar. Então, uma outra voz ecoou:

- Chorando se foi, quem um dia só me fez chorar, chorando se foi, quem um dia só me fez chorar …
em seguida, ouvi uma risada de arrepiar: hiaaauuuhhuuuaa

-Meu Deus, gritei. Estou num filme de terror de Alice no País das Maravilhas.

-Não, fia, você tá perdida como eu. É isso o que acontece a quem dorme demais. Dorme tanto que uma hora vive no mundo do sonho ou do pesadelo e sonha ou tem pesadelo na vida. Entendeu? Nem eu.

- Caraca, colocaram algo na minha bebida ou na sua, pensei. Quando dei por mim, a tia do apito não estava mais ao meu lado.

Estranho. Tomada por uma nova onda de pânico, mais uma vez saio em disparada. Uma névoa mais densa se abre à frente. E, agora José? Estaria condenada a viver com o Sono?

-Nãããããoooo. Levantei de sobressalto. Um tanto confusa, olhei para o lado e percebi que estava imersa em um pesadelo. Ainda um tanto impressionada, demorei a me deitar. Então fechei os olhos, na expectativa de que dessa vez meu sono fosse velado por bons sonhos. 

Nota da autora: os personagens são fictícios e qualquer semelhança com pessoas reais não é mera coincidência.  

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